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Etapa Final: Informação e Conhecimento são apenas uma Mercadoria

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Etapa Final : Informação e Conhecimento são apenas uma Mercadoria?

Autores: Carlos Tato e Luís Henrique Fagundes

Data: 2. Semestre de 2005

Local : Instituto de Matemática e Estatistica - Universidade de São Paulo

Professor: Prof. Dr. Imre Simon

Objetivo

O Objetivo primeiro desta reflexão escrita é realizar uma aproximação conceitual e na medida do possível com exemplos empíricos sobre a criação, utilização e disseminação do informação e do Conhecimento e a sua apropriação pelas pessoas e instituições como um bem de grande valor de uso ou apenas e exclusivamente como um bem que tenha apenas valor de troca, isto é, que seja útil somente em função do lucro que este bem proporciona. Em seguida apresentar algumas iniciativas de pessoas, estudiosos e coletivos humanos através de um movimento contra-hegemônico com o tratamento exclusivamente mercantil e portanto aumentando a complexidade e apontando para a construção coletiva de uma sociedade do conhecimento mais justa e democrática. Introdução

Para responder à pergunta "Informação e Conhecimento são uma mercadoria", é necessário caracterizar informação, conhecimento e mercadoria. Começaremos então por identificar o aspecto fundamental que diferencia o os dois primeiros do segundo e que torna esta uma pergunta complexa: informação e conhecimento são intangíveis, enquanto mercadoria está tradicionalmente associada a algo material. O contexto em que esta pergunta se torna relevante para este estudo é o momento em que se torna possível desvincular tais bens intangíveis de um meio físico, tornando a distribuição em larga escala extremamente barata. Isso tornou-se possível com a invenção dos computadores e da internet.

1.1 Mercadoria, Escassez, Oferta e procura

O mercado é regido pela lei da oferta e da procura. Apesar de um grande número de variáveis que o influenciam, essa simples lei resume boa parte de seu funcionamento: se a oferta é baixa e a procura alta, o preço sobe. Se a oferta é alta e a procura baixa, o preço cai. O leilão de um quadro único é um bom exemplo do primeiro caso: apenas um produto e muitas pessoas interessadas, então o preço é elevado até que o número de interessados em pagar tal preço seja igual ao número de mercadorias disponíveis e o equilíbrio seja alcançado. Também podemos pensar no caso inverso, em uma grande abundância de certa mercadoria. Por exemplo, se há uma superprodução de tomates, eles irão estragar se os consumidores não comprarem mais frutas do que habitual, portanto o preço deve baixar até que um número suficiente de pessoas decida aumentar o consumo de tomates em suas refeições. Em casos extremos de abundância baixar o preço pode não ser suficiente, pois o aumento da procura é limitado pelo tamanho da população. Foi o caso em 1931, quando o governo brasileiro queimou milhões de sacas de café para garantir o consumo mundial do produto.

Para produzir um determinado bem material, podemos dividir o custo em duas partes: o custo da matéria prima e do trabalho humano. No caso do quadro, o custo da matéria prima - tela e tintas - é desprezível, sendo o trabalho do artista o grande valor do quadro. No caso dos tomates, a matéria prima - solo, adubo, água, diesel para transporte e agrotóxicos - é certamente maior. Porém, neste segundo caso, a relação entre o custo da matéria prima e do trabalho humano depende do tamanho da produção. Se um agricultor é capaz de cuidar sozinho da produção de 1 tonelada de tomates/mes - valor imaginado sem nenhuma base na realidade -, mas tem disponível apenas uma pequena horta, o custo de seu trabalho será maior do que o de matéria prima. Ou seja, neste caso o custo depende da __escala__ em que determinado bem é produzido.

O modo industrial de produção, que caracterizou os últimos 200 anos da história da humanidade, se baseia na produção em larga escala, para diluir entre o maior número de consumidores o trabalho humano envolvido e, portanto, baixar o preço de cada tem. Para que isso funcione, de acordo com a lei da oferta e procura, é necessário que a procura seja muito alta, ou então a oferta industrial abundante causaria uma crise como a do café. Como com a maioria dos bens materiais não dispõe de uma grande oferta, a indústria cria uma necessidade artificial de consumo num círculo de poder crescente: quanto maior o mercado consumidor, menor o custo de produção, maior o lucro, maior o poder econômico para a criação de mercado consumidor e grandes monopólios, realimentando o ciclo. A associação entre indústria e meios de comunicação em massa possibilita que o lucro extra possa ser quase diretamente convertido em mercados consumidores, com o uso da propaganda. E assim nasceu a cultura de massas.

Essa lógica funciona bem para bens tangíveis, aqueles cuja produção está vinculada a uma quantidade finita de matéria prima. O que acontece quando o custo da matéria prima tende a zero? Como este modelo funciona quando o custo de produção é o mesmo para 1 ou 6 bilhões de ítens?

http://www.novomilenio.inf.br/santos/fotos081.htm

1.2 Dado, Informação, Conhecimento e Competência

Para entender melhor informação e conhecimento, assim como suas propriedades particulares relevantes neste estudo, temos que entender também dado, e competência. O primeiro se faz necessário pois é a armazenagem de uma informação em forma de dado que possibilita a distribuição em larga escala a custo quase zero, enquanto a competência se faz necessária para que o conhecimento tenha valor. Para Setzer (2001), dado é

"uma seqüencia de símbolos quantificados ou quantificáveis (...), necessariamente uma entidade matemática e, desta forma, é puramente sintático. Isto significa que os dados podem ser totalmente descritos através de representações formais, estruturais. (...) eles podem obviamente ser armazenados em um computador e processados por ele".

Já a informação

"é uma abstração informal (isto é, não pode ser formalizada através de uma teoria lógica ou matemática), que está na mente de alguém, representando algo significativo para essa pessoa. (...) não é possível processar informação diretamente em um computador. Para isso é necessário reduzi-la a dados".

Conhecimento caracteriza-se

"como uma abstração interior, pessoal, de algo que foi experimentado, vivenciado, por alguém. (...) Nesse sentido, o conhecimento não pode ser descrito; o que se descreve é a informação. Também não depende apenas de uma interpretação pessoal, como a informação, pois requer uma vivência do objeto do conhecimento. Assim, o conhecimento está no âmbito puramente subjetivo do homem ou do animal."

A explicação de Setzer (2001) faz necessária uma distinção rigorosa entre informação e conhecimento para responder a questão central deste estudo, que surge do pressuposto de que o computador e a internet permitem que um bem intangível pode ser reproduzido em larga escala com baixo custo. Esta afirmação vale para um dado, mas podemos dizer o mesmo para informação e conhecimento?

Segundo Setzer (2001), a informação pode ser representada por dados, e então armazenada em computador. Estes dados podem portanto ser facilmente distribuídos em larga escala. Para transformar uma informação em dado, é necessário que uma pessoa que possui a informação em sua mente represente-a em uma estrutura formal, que pode ser operada pelo computador. A operação inversa também pode ser feita, porém é possível que um mesmo dado tenha interpretações diferentes por pessoas diferentes. Tal fato sugere que a informação não pode ser distribuída automaticamente, porém dado um mesmo contexto cultural e evidências empíricas - basta observar como exemplo um jornal em papel ou eletrônico - é razoável supor que o computador e internet permitem distribuição barata em larga escala. O conhecimento, por sua vez, depende de uma experiência, uma vivência, e não pode portanto ser adquirido pela simples aquisição de informações. Setzer até admite a possibilidade de aquisição de conhecimento a partir de informações, como no caso de um historiador, que dispondo de informações sobre o passado adquire conhecimento a partir de uma vivência não das situações físicas, mas no mundo platônico das idéias. Mesmo nesse caso, tal vivência não ocorre automaticamente, mas requer um longo estudo e filosofia.

Setzer (2001) explica o conhecimento estabelecido, do ponto de vista de uma pessoa que tem este conhecimento, mas não se preocupa - pelo menos no trabalho aqui analizado - no processo pelo qual o conhecimento se constrói, questão que surge quando falamos em distribuição ou troca de conhecimento. As idéias de Setzer estão de acordo com Paulo Freire, que se concentra no processo pelo qual o conhecimento se constrói. Freire condena a educação bancária, aquela que acredita que a construção do conhecimento pode ser feito pelo simples depósito de conteúdos. Segundo a análise de Cyrino e Toralles-Pereira (2004),

"(...) Paulo Freire defende que a educação não pode ser uma prática de depósito de conteúdos apoiada numa concepção de homens como seres vazios, mas de problematização dos homens em suas relações com o mundo. Por isso, a educação problematizadora fundamenta-se na relação dialógica entre educador e educando, que possibilita a ambos aprenderem juntos, por meio de um processo emancipatório. A educação problematizadora trabalha a construção de conhecimentos a partir da vivência de experiências significativas."

E finalmente, Setzer (2001) caracteriza competência como

"uma capacidade de executar uma tarefa no 'mundo real'. (...) Uma pessoa só pode ser considerada competente em alguma área se demonstrou, por meio de realizações passadas, a capacidade de executar uma determinada tarefa nessa área".

Setzer (2001) continua sua conceituação de competência afirmando que além da habilidade de executar uma tarefa no mundo real, o sujeito com competência deve realizar uma atividade física e portanto circunscrita ao mundo material. Outro aspecto da competência destacado por Setzer (2001) é a liberdade, isto é, a capacidade de alterar as ações conforme a realidade muda.

Podemos perceber que tanto a informação quanto o conhecimento, por serem atributos humanos, não são redutíveis a condição de mercadoria sem a geração de grandes conflitos para os mercadores contemporâneos.

REFERÊNCIAS

CASTELLS M. A Galaxia da Internet. Reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora; 2003

CYRINO, ELIANA GOLDFARB AND TORALLES-PEREIRA, MARIA LÚCIA. Discovery-based teaching and learning strategies in health: problematization and problem-based learning Cad. Saúde Pública. [online]??. May/June 2004, vol.20, no.3 [cited 26 October 2005]??, p.780-788. Available from World Wide Web: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2004000300015&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-311X.

SETZER VW. Dado, Informação, Conhecimento e Competência [online]??; Disponível em < URL:http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/dado-info.html > [2005 jun 20]??

TENÓRIO RM. Cérebros e Computadores. A complementaridade analógico-digital na Informática e na educação São Paulo: Escrituras Editora;1998

2. Dificuldades para o tratamento exclusivamente mercantil da informação e do conhecimento

Alguns estudiosos tem procurado refletir sobre a denominada Sociedade em Rede e como a informação e o conhecimento são tratados dentro do atual sistema econômico capitalista. Informação e conhecimento são hoje, para o desenvolvimento do Capital fatores essenciais de produção e fonte de inovação. Discutir como alguns autores apresentam estas dificuldades no tratamento exclusivamente mercantil da informação e do conhecimento é objetivo deste capítulo.

Um das questões chave para nos aproximarmos desta relação entre informação, conhecimento e seu tratamento mercantil é verificar como se caracteriza uma idéia do ponto de vista econômico (SILVEIRA, 2004). Segundo o economista Paul Romer [http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Romer]?? [http://www.stanford.edu/~promer/]?? as idéias são bens não rivais. No mundo material qualquer objeto que é propriedade de uma pessoa não pode ser apropriado por outra, isto é, no mundo material há rivalidade na propriedade de algum bem. O que não acontece com os bens no mundo imaterial; é possível produzir um texto digitalizado e envia-lo a várias pessoas que também podem usufruir do mesmo texto ao mesmo tempo, sem que aquele que produziu o texto perca a capacidade de continuar a usufruir do texto produzido.

Esta distinção entre a rivalidade dos bens do mundo material e não-rivalidade dos bens do mundo imaterial, faz muita diferença. E esta não-rivalidade dos bens imateriais é fundamental para a compreensão do exercício da propriedade de um bem. A rivalidade é o elemento constitutivo de sua apropriação ou das possibilidades de exercer a propriedade sobre este bem.(SILVEIRA, 2004).

Outro economista norte-americano da Universidade de Berkeley, Charles I. Jones [http://elsa.berkeley.edu/~chad/]?? evidencia esta distinção entre bens materiais rivais e bens imateriais não-rivais e suas consequencias para a ambiente econômico. (SILVEIRA, 2004)

No mundo das idéias é perfeitamente possível desenvolver uma receita de bolo e partilhar esta receita com outras pessoas em distintos lugares. O produto físico é presente e as idéias são onipresentes.(SILVEIRA, 2004)

Idéias são atributos de um sujeito, uma pessoa, que tenha significado e idéia com siginificado para o sujeito é uma informação. A informação é um processo de remoção de incertezas (DANTAS,1996), dito de outro modo a informação é a probabilidade de ocorrer um evento, dado um conjunto de possibilidades.(DANTAS, 1996).

O economista Kenneth Arrow http://es.wikipedia.org/wiki/Kenneth_Arrow analisa as caracteristicas econômicas das idéias como informação. Arrow reconhece que as propriedades da informação seriam desconfortáveis para o sistema econômico, ou ainda, implicaria em grandes desconfortos para a economia de mercado.(SILVEIRA, 2004) Arrow (apud Albuquerque, 2001) indica que a mercadoria informação possui algumas propriedades desconfortáveis.

Primeiro, a informação está sujeita a indivisibilidade em seu uso. A presença da indivisibilidade se relaciona a economias de escala e à possibilidade de retornos crescentes. (ALBUQUERQUE, 2001)

Segundo, ao contrário das mercadorias comuns, a informação apresenta complexos problemas de apropriabilidade. O seu caráter intangível determina que o fato de um agente possuí-la não impede um segundo agente de também utiliza-la. A determinação da apropriabilidade da mercadoria informação, ressalta Arrow, depende do estabelecimento de medidas legais (leis de patentes). Arrow é cético quanto a eficácia das leis de pateentes, dado o caráter intangível e fugidio da informação. (ALBUQUERQUE, 2001)

Em terceiro lugar, há um paradoxo fundamental na definição do valor da informação para viabilizar seu intercâmbio comercial. Em primeiro momento, o comprador potencial não sabe que valor deve atribuir a ela, pois não a conhece. Em um segundo momento, caso o comprador tenha a informação revelada, teria conhecimento dela e portanto poderia adquiri-la sem custo. Não estaria mais disposto a pagar qualquer quantia por ela. ( ALBUQUERQUE, 2001)

Em quarto lugar a informação é produzida. O processo de inovação é um processo de produção de novas informações. Porém, ao contrário do processo de produção de mercadorias físicas, o processo de invenção não pode ser perfeitamente previsto a partir dos seus insumos. É uma atividade sujeita à incerteza. O que a submeteria a uma discriminação, sendo derivada dessa característica o diagnóstico arrowniano de que uma economia de mercado tem a tendência a sub investir em atividades produtoras de novas informações, leia-se P&D. ( ALBURQUERQUE, 2001)

Em quinto lugar, a informação é também um insumo para a produção e novas informações. Identifica-se uma vasta cadeia de produção de informações que geram insumos para a produção de novas informações. Neste caso, os problemas derivados dos dois pontos anteriores, isto é, a definição do seu valor e a incerteza quanto ao resultado de seu processo de produção são ampliados.

Finalmente, uma vez produzida não há o menor sentido em investir recursos para produzi-la uma segunda vez. Um a vez gerada, uma informação pode ser usada de forma infinita. Arrow ( apud ALBUQUERQUE, 2001) insiste que as propriedades especiais da informação estão entre as causas de retornos crescentes. Embora retornos crescentes possam ter origens diferentes da informação ..”com informação, retornos constantes são impossíveis.”

Como podemos observar Arrow ( apud ALBUQUERQUE, 2001) apresenta vários argumentos demonstrando as dificuldades para a mercantilização da informação.

2.1 Relações entre valor, tempo de trabalho e o Conhecimento

Outro aspecto importante nas dificuldades para a apropriação mercantil da informação e do conhecimento é como os mercados atribuem valor ao mundo material e como é paradoxal a atribuição de valor para o mundo das idéias. Iniciando um processo de compreensão sobre como atribuímos valor às coisas e que tipo de valor possui as idéias, vamos primeiro visitar o conceito de valor. Como atribuímos valor às coisas? o que significa valor? O valor é sempre expresso em dinheiro?

Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio (1999) o verbete valor, substantivo masculino, do latim valore e além disso, possui vários significados, vamos a alguns : valor (1) qualidade de quem têm força, audácia, vigor; (2) qualidade pela qual determinada pessoa ou coisa é estimável em maior ou menor grau, mérito ou merecimento intrínseco; (3) Importância de determinada coisa, estabelecida ou arbitrada de antemão; (4) Valor de Mercado: preço de um bem determinado pela interação da oferta e da procura; (5) valor de uso : Capacidade de um bem de satisfazer necessidades humanas; (6) Valor de troca: Capacidade de um bem de ser trocado por outros bens, ou por dinheiro.

Como podemos perceber existem vários siginificados para a palavra e o conceito de valor, apesar de que nas sociedades fundadas na exploração do trabalho alheio e portanto fundada no lucro como objetivo final e último da existência humana, a palavra valor é eivada e muitíssimo relacionada com dinheiro. E não poderia ser diferente. Adam Smith considerado pai da economia como ciência - o trabalho humano é a atividade que incorpora valor à mercadoria. http://es.wikipedia.org/wiki/Teor%C3%ADa_del_valor_trabajo.

Smith escreveu uma obra muito importante “A Investigação sobre a natureza e causas da riqueza das nações. A Riqueza das Nações” em 1776 e no primeiro volume desta obra ela desenvolve o conceito de valor de uso que é derivado da utilidade do objeto; valor de troca que é a capacidade de um objeto ser trocado por outros bens. Além disso, Smith afirma nesta marcante obra que é o trabalho humano incorporado em uma mercadoria o responsável pelo valor desta mercadoria. Em outras palavras é o trabalho humano que gera valor. http://es.wikipedia.org/wiki/La_investigaci%C3%B3n_sobra_la_naturaleza_y_causas_de_la_riqueza_de_las_naciones

Outro teórico da ciência econômica David Ricardo afirma na suas obra, em 1817, que a gênese do valor é o trabalho humano. http://es.wikipedia.org/wiki/Teor%C3%ADa_del_valor_trabajo

Outro economista e filósofo que estudou a questão do valor foi Karl Marx. http://es.wikipedia.org/wiki/El_Capital . Marx afirma na sua obra mais conhecida “O Capital” em 1867 que a grandeza do valor de uma mercadoria é medida pela quantidade de tempo de trabalho nela incorporado.

Portanto, como podemos constatar vários e importantes teóricos da economia política de diferentes matizes ideológicos atribuem ao trabalho a fonte de valor das mercadorias. E através da medida da quantidade de tempo de trabalho cristalizado na mercadoria se mede o seu respectivo valor.

Na denominada Economia do Conhecimento ou Sociedade da Informação, onde informação e conhecimento são insumos estratégicos para o desenvolvimento desta economia ainda baseadas nas trocas mercantis, como medir a quantidade de trabalho necessário incorporado nas mercadorias ?? Como medir o talento, a criatividade, o insight, a inspiração de um trabalhador no seu processo de trabalho, na produção de mercadorias?

Segundo, Gorz ( 2005) a economia do conhecimento significa transtornos importantes para o sistema econômico. Esta economia do conhecimento indica que o conhecimento se tornou a principal força produtiva, e que, conseqüentemente, os produtos da atividade social não são mais, principalmente, produtos do trabalho cristalizado, mas sim do conhecimento cristalizado. Indica também que o valor de troca das mercadorias, sejam ou não materiais, não é mais determinado um última análise pela quantidade de trabalho social geral que elas contém, mas, principalmente, pelo seu conteúdo de conhecimentos, informações, de inteligências gerais. É ela que se torna a principal fonte de valor e de lucro, e assim, segundo vários autores, a principal forma do trabalho e do capital. ( GORZ, 2005)

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE EM. Informação, conhecimento e apropriação: notas sobre o significado econômico das patentes e os impactos da emergência de uma economia baseada no conhecimento [online]? ; 2001. Disponível em < URL:http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/sti/publicacoes/futAmaDilOportunidades/ediEspeciais_09.php > [2005 Out 29 ]?

DANTAS M. A lógica do capital-informação. A fragmentação dos monopólios e a monopolização dos fragmentos num mundo de comunicações globais Rio de Janeiro: Contraponto Editora; 1996

FERREIRA ABH. Novo Aurélio Século XXI : o dicionário da língua portuguesa 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1999

GORZ A . O Imaterial. Conhecimento, Valor e Capital São Paulo: Annablume Editora; 2005

Kenneth Arrow http://es.wikipedia.org/wiki/Kenneth_Arrow

http://www-econ.stanford.edu/faculty/arrow.html

LOJKINE J. A revolução informacional 2ª Edição. São Paulo: Cortez Editora; 1999

Manuel Castells http://es.wikipedia.org/wiki/Manuel_Castells

MACHADO JN. Conhecimento e Valor São Paulo: Editora Moderna; 2004

SILVEIRA SA. Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo; 2004

Marco Antonio Barbosa- Professor de Pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo http://paje.fe.usp.br/%7Embarbosa http://paje.fe.usp.br/%7Embarbosa/artcm.doc http://www2.fe.usp.br/%7Embarbosa/patentes.doc

3. O Software Livre oferece possibilidades de um tratamento complexo da informação e do conhecimento ?

O objetivo deste capitulo é verificar através de alguns autores, as possibilidades que o software livre oferece para um tratamento mais complexo, isto é,um tratamento não exclusivamente mercantil da informação e do conhecimento.

Apresentar alguns exemplos empiricos de utilização deste conjunto de ídéias sobre tratamento não-mercantil a partir da ótica do movimento do Software Livre para alguns setores da sociedade como a Educação e a Ciência.

Na atualidade para intervir e inovar nada é mais efetivo que o conhecimento moderno. Porém isto não quer dizer que seja coisa boa e ética, afirma o sociólogo Pedro Demo. Ao contrário, a competência inovadora sem precedentes pode estar muito mais a serviço da exclusão do que da cidadania. O atual sistema econômico, o capitalismo neoliberal é o modelo desta situação incômoda : a competitividade alimenta sua inigualável eficiência na produção e uso intensivo em conhecimento que, ao mesmo tempo é a fonte contumaz da própria exclusão econômica, sobretudo pela destruição do emprego e pelos efeitos devastadores sobre o meio-ambiente. (DEMO, 1997)

Daí urge estudar formas de colocar este bem humano estratégico -o conhecimento- a serviço do redução das desigualdades sociais, a favor do desenvolvimento social, cultural, educacional e espiritual da totalidade dos seres humanos.

Gorz (2005) afirma que é a redefinição do conceito de riqueza é o que martela a crise das principais categorias da economia política e particularmente a crise dos conceitos de capital e valor. Viveret (apud GORZ, 2005) aponta como uma das prioridades detectar as pessoas e os grupos portadores de visões culturais e espirituais que têm ou terão um papel essencial para dar vida à idéia de que a humanidade está centrada numa nova era, necessitando novos quadros conceituais, culturais e éticos, para acompanhar a grande mutação. Gorz (2005) continua a desenvolver usa linha de raciocínio afirmando que o ator potencial da superação do capitalismo para uma outra economia é o “capital humano”, conquanto ele tenda a se emancipar do capital. Apenas agrego que não batizo o ser humano de capital humano, mas de humano Essa tendência se vê abertamente ilustrada na luta que, no centro dos dispositivos de poder do capital, os artesão de programas de computador e das redes livres levam adiante. Com eles, ao menos, os que detêm o “capital humano”, em seu mais alto nível técnico, si opõe a privatização dos meios de acesso a esse “bem comum da humanidade” que é o saber sob todas as suas formas. Trata-se aqui de uma dissidência social e cultural que reivindica abertamente uma outra concepção de economia e da sociedade. (GORZ, 2005)

Saravia e Busaniche (2003) argumentam que a combinação da informática com as comunicações interconecta os seres humanos mudando substancialmente as formas de relacionar-se permitindo criar estruturas e organizações antes inimaginaveis. Afirmam os autores que estamos às portas de novas e diversas culturas e sociedades que complementam, potenciam ou modificam as preexistentes. Uma revolução tecnológica, comunicacional, social, e humana sem precedentes na história. Estamos frente a possibilidade de construir conhecimento coletivo e distribuí-lo a toda a humanidade em tempo real e sem custos marginais. A internet deu inicio a esta revolução que conjuga o telefone com meios massivos, o poder de processamento e a digitalização da informação. (SARAVIA E BUSANICHE, 2003)

O problema da apropriação privada do conhecimento é abordada pelos autores (SARAVIA E BUSANICHE, 2003) através de várias questões que temos que levar em conta. Um das bases fundamentais da Sociedade do Conhecimento tem a ver com alguns conceitos que é indispensável entender de maneira crítica. É imprescindível empreender a análise de tudo aquilo que habitualmente se engloba como : propriedade intelectual. Os autores classificam este termo de oximoron publicitário. http://es.wikipedia.org/wiki/Ox%C3%ADmoron

Este termo “propriedade intelectual” afirmam os autores pretende juntar três conceitos muito diferentes: direitos de autor, patentes e marcas. A aberração de distribuir software em formato binário e outorgar a esta pratica e a este conteúdo incompreensível aos humanos, caráter de obra intelectual e protege-lo com copyright e ainda com patentes, complicou mais as coisas. Mecanismos como o copyright ( direitos de autor) forma desenhados especificamente para a geração de estruturas econômicas que sustentem o fluxo de idéias Mas este se produziu quando a informação estava firmemente vinculada à midia ou suporte físico que a sustentava. A difusão de conteúdos tinha um determinado custo que alguém devia financiar e estes direitos de cópia asseguravam entradas monetárias aos editores e as empresas. (SARAVIA E BUSANICHE, 2003)

Salta a vista que o impacto da novas tecnologias causa um mutação radical nas relações das idéias e o conhecimento com o suporte de distribuição. Hoje se separa totalmente o conteúdo da mídia que o suporta. A informação digitalizada é incontável e ubíqua e seu custo marginal de reprodução e distribuição é nulo. Um vez criada e digitalizada uma obra intelectual pode ser copiada, distribuída, acessada e disfrutada por milhões de pessoas ao mesmo tempo sem que se note diferença entre o original e as cópias, e sem que haja um custo marginal derivado deste desfrute. (SARAVIA E BUSANICHE, 2003) Deste conjunto de argumentos se depreendem duas consequências :

  1. não é possível, ou melhor, é anacrônico impor restrições a difusão da informação.
  2. não havendo custo de distribuição desaparece o motivo principal que sustenta o sistema de direitos de autor.

Um sistema que funcionou em um determinado momento histórico está se tornando obsoleto e só se pode manter à força de apelar a leis restritivas e ao poder de polícia dos estados para impor através do rótulo de delito, um fato que se torna natural e quase inevitável a nova sociedade. Uma sociedade onde a Informação esta fechada e se constitua como capital, não pode ser transparente, condição básica para o funcionamento de mercados livres. (SARAVIA E BUSANICHE, 2003)

Como podemos observar nos argumentos acima expostos há imensas dificuldades em várias frentes no sentido de a) estabelecer um valor (de troca) para o software e b) a apropriação privada da informação é uma fonte de conflitos e problemas intermináveis e talvez impossível de se obter uma resolução a curto prazo. Através dos argumentos acima expostos o software livre apresenta características muito peculiares e complexas para ser aprisionado nos objetivos muito reducionista do mercado capitalista que é exclusivamente o lucro.

Para concluirmos, Himanem (apud GORZ, 2005) afirma que para hackers como Torvalds o fator organizador de base não é nem o dinheiro, nem o trabalho, mas a paixão e o desejo de criar com outros alguma coisa de socialmente importante, ou seja, alguma coisa de que valha a estima de seus pares. A atividade do hacker repousa sobre a ética da cooperação voluntária, na qual cada um se compara aos outros pela qualidade e pelo valor de uso de sua contribuição para seu grupo, coordenando-se livremente com eles. Nada se produz com a finalidade de trocas comerciais. O valor de troca nunca é levado em conta; considera-se apenas o valor de uso que, na essência, não é mensurável.( GORZ, 2005)

4. Algumas conclusões provisórias

Como podemos observar informação e conhecimento são atributos humanos que criam muitas dificuldades para a sua mercantilização pura e simples, como acontece no mundo do mercado. Há imensas dificuldades por parte do mercado em avaliar, medir e registrar conhecimento tácito em conhecimento explicito.

A crise na atribuição de valor para as atividades envolvendo informação e conhecimento tende a se aprofundar, dado que o sistema econômico assentado na exploração sobre o trabalho, tem e terá cada dia imensas dificuldades em medir a quantidade de tempo de trabalho envolvido no processo de produção de mercadorias. Informação, conhecimento, talento e criatividade são atributos humanos complexos para avaliar e medir e portanto para atribuir valor, principalmente valor de troca.

É possível verificar que o desenvolvimento da Internet, do Software Livre, da Wikipédia e de outros projetos com este mesmo perfil de liberdade, trouxe para o cenário novas possibilidades para as atividades produtivas. As pessoas envolvidas com as comunidades tem outros objetivos de vida, o que torna mais complexo as relações de produção. Nos movimentos de software livre percebe-se que as pessoas podem envolver-se em projetos sem que os objetivos sejam unicamente e exclusivamente econômicos.

Existem motivações várias, como por exemplo, não estar subordinado diretamente a uma forte hierarquia, trabalhar em horários mais flexíveis, envolver-se com projetos de forte interesse pessoal, participar de projetos que apresentem grande desafio intelectual, tecnológico e social.

Como podemos observar o interesse econômico é e pode ser apenas uma das motivações dos participantes das comunidades envolvendo projetos livres. A característica geral dos projetos livres é a sua utilidade tecnológica, social, política e cultural além da econômica.

REFERÊNCIAS

GORZ A . O Imaterial. Conhecimento, Valor e Capital São Paulo: Annablume Editora; 2005

LOJKINE J. A revolução informacional 2ª Edição. São Paulo: Cortez Editora; 1999

DEMO P. Conhecimento moderno. Sobre ética e intervenção do conhecimento 4ª Edição. Petrópolis, RJ: Vozes; 1997

OLIVEIRA TN, NETO APM. Uma Análise da Economia Política Marxista: a propriedade intelectual em xeque no ciberespaço [ online]? 2003 Disponível em < URL: http://twiki.im.ufba.br/bin/view/PSL/SLaEconomiaPoliticaMarxistaEaPropriedadeIntelectual > [ 2005 Out 30]?

SARAVIA D, BUSANICHE B. La contradición fundamental de la sociedad del conocimiento [online]??;2003 Disponível em < URL:http://bo.unsa.edu.ar/docacad/softwarelibre/articulos/defasoco> [2005 Jun 20]??

SILVEIRA SA, CASSINO J, organizadores. Software Livre e a Inclusão Digital São Paulo: Conrad Editora do Brasil; 2003.

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